![]() |
Ouvir ao longe o apitar do trem
Levando meu amor num vai e vem
Nas nuvens de saudades passageiras
Que andam pelos céus, sutis ligeiras
São como o sol que ao apagar estrelas
Chama o poeta à noite para vê-las
E transformadas nos mais belos temas
Tornam-se musas de sutis poemas
E assim o vate elabora o verso
Com todas as belezas do universo
Ensinando a amar com os passarinhos
Que na paz e silêncio dos seus ninhos
Acordam as manhãs com a cantoria
Bendizendo o prazer e a alegria
Da liberdade de viver sem mágoas
Feito rios no curso de suas águas
E ser dono de tudo sem ter medo
Fazendo o seu mundo no arvoredo
Tal qual a borboleta que insemina
A rosa branca leve e cristalina
E vai pelo jardim sempre à procura
Do mel da vida, natural doçura
Para todas as flores fecundar
E ver toda semente germinar
Trabalho executado dia a dia
Em festa rica de policromia
Da natureza eu queria a glória
De fazer parte de tão bela história
Eu queria viver a vida assim
Jogada qual semente num jardim
Onde a maldade nunca mais se visse
E o ser humano não se destruísse
Nem destruísse o mundo que é seu lar
Para mais tarde ter que lamentar
Pelos sonhos perdidos e talvez
Não poder apagar o mal que fez
Bem que eu queria ser abelha ou flor
Fazer uma ciranda só de amor
Morar nas nuvens e de perto vê-las
Transformadas em poeira de estrelas
Plantar um girassol no meu quintal
Vê-lo crescer garboso, vertical
Curvado apenas ao olhar do sol
Movido como um leme ou um farol
Queria conservar minhas lembranças
Todos os sonhos e as esperanças
Transformar a tristeza em alegria
Ver surgir as manhãs a cada dia
Passarinhos cantando nas mangueiras
Sabiás festejando as pitangueiras
Queria renascer no meu jardim
Ter uma borboleta só pra mim
por toda parte ver o meu sorriso
Ir brincar de esconder no paraíso
Desfrutar da maçã sem ser pecado
Unir-me para sempre ao ser amado
Ouvir lá longe o apitar do trem
Por séculos e séculos, amém

6 comentários:
Um poeta disse:
Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens.
Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração.
Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.
A Djanira tem muita música no sangue...E esse dom de fazer parecer simples aquilo que não é. Dispondo somente das frágeis palavras, verdes paraísos elas lembram, aos que têm o privilégio de a escutar. Como Eugénio de Andrade, no seu poema.
Beijo terno.
Estou por aqui, lendo, apreciando, me deliciando com sua forma de escrever.
Achei este diferente do seu estilo.
É sempre bom ler Mário Lopes, e encontrá-lo por aqui.
beijo
Olá, Sra. Djanira!
Tudo certinho? Que tudo esteja 100% com você!
Encontrei o seu blog e vim fazer uma visitinha!
Adorei a poesia!
Ah1, e gostei muito do: "Rir ainda é o melhor remédio, ..."
[Sou expatriada] Sai do Brasil em 2000 e fui para os USA estudar na Harvard, onde estudei até 2002. Desde 2003, moro na Holanda - sou casada com um holandês.
[O choque cultural existe e acaba sendo benéfico - de uma maneira ou de outra -. Sou da opinão que existem coisas boas e ruins em qualquer lugar do planeta! Nós é que temos que ressignificá-las à nossa moda!]
Será uma alegria se visitar o meu cantinho virtual, que é: http://josanemary.wordpress.com/mevrouw-jane/
E será uma outra alegria, se quiser ler o prefácio do meu livro: Mevrouw Jane (o prefácio não foi feito por mim, mas por um outro escritor, um já reconhecido no mundo literário). Se gostar – ou não - por favor, deixe um comentário; vou adorar ler a sua opinião!
Tenha um ótimo dia!
Grande abraço, daqui da Holanda.
Josane Mary
ENCANTADA com seu blog e com sua escrita. Agora sei a quem Paula saiu...Bem,em algumas passagens por aqui, fui tao tocada ao ponto de pensar q gostaria muito de ter escrito tal poesia...
Sabe o q sempre me incomodou?O não ter história pra contar(eu quero ter história e vc as tem)parabéns!
Beijinhos
Maria
Oi Djanira,
Já coloquei seu blog na lista dos meus preferidos...Ah,e quanto a ter histórias pra contar,bem,na verdade hoje aos 44 anos já tenho algumas...rs...Antes eu tinha este medo (o de nao ter história pra lembrar ou contar).rs...
Beijinho
P.s.Gostei varias poesias mas especialmente de SANTIFICAÇÃO
Eu novamente para saber se posso postar poesias sua no meu blog...Posso?
Postar um comentário