domingo, 3 de abril de 2011

FANTASIAS


















Ouvir ao longe o apitar do trem
Levando meu amor num vai e vem


Nas nuvens de saudades passageiras

Que andam pelos céus, sutis ligeiras


São como o sol que ao apagar estrelas

Chama o poeta à noite para vê-las


E transformadas nos mais belos temas

Tornam-se musas de sutis poemas


E assim o vate elabora o verso

Com todas as belezas do universo


Ensinando a amar com os passarinhos

Que na paz e silêncio dos seus ninhos


Acordam as manhãs com a cantoria

Bendizendo o prazer e a alegria


Da liberdade de viver sem mágoas

Feito rios no curso de suas águas


E ser dono de tudo sem ter medo

Fazendo o seu mundo no arvoredo


Tal qual a borboleta que insemina

A rosa branca leve e cristalina


E vai pelo jardim sempre à procura

Do mel da vida, natural doçura


Para todas as flores fecundar

E ver toda semente germinar


Trabalho executado dia a dia

Em festa rica de policromia


Da natureza eu queria a glória

De fazer parte de tão bela história


Eu queria viver a vida assim

Jogada qual semente num jardim


Onde a maldade nunca mais se visse

E o ser humano não se destruísse


Nem destruísse o mundo que é seu lar

Para mais tarde ter que lamentar


Pelos sonhos perdidos e talvez

Não poder apagar o mal que fez


Bem que eu queria ser abelha ou flor

Fazer uma ciranda só de amor


Morar nas nuvens e de perto vê-las

Transformadas em poeira de estrelas


Plantar um girassol no meu quintal

Vê-lo crescer garboso, vertical


Curvado apenas ao olhar do sol

Movido como um leme ou um farol


Queria conservar minhas lembranças

Todos os sonhos e as esperanças


Transformar a tristeza em alegria

Ver surgir as manhãs a cada dia


Passarinhos cantando nas mangueiras

Sabiás festejando as pitangueiras


Queria renascer no meu jardim

Ter uma borboleta só pra mim


por toda parte ver o meu sorriso

Ir brincar de esconder no paraíso


Desfrutar da maçã sem ser pecado

Unir-me para sempre ao ser amado


Ouvir lá longe o apitar do trem

Por séculos e séculos, amém

6 comentários:

Mário Lopes disse...

Um poeta disse:


Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens.

Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração.

Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.


A Djanira tem muita música no sangue...E esse dom de fazer parecer simples aquilo que não é. Dispondo somente das frágeis palavras, verdes paraísos elas lembram, aos que têm o privilégio de a escutar. Como Eugénio de Andrade, no seu poema.

Beijo terno.

Paula Barros disse...

Estou por aqui, lendo, apreciando, me deliciando com sua forma de escrever.

Achei este diferente do seu estilo.

É sempre bom ler Mário Lopes, e encontrá-lo por aqui.

beijo

Josane Mary disse...

Olá, Sra. Djanira!
Tudo certinho? Que tudo esteja 100% com você!
Encontrei o seu blog e vim fazer uma visitinha!
Adorei a poesia!
Ah1, e gostei muito do: "Rir ainda é o melhor remédio, ..."

[Sou expatriada] Sai do Brasil em 2000 e fui para os USA estudar na Harvard, onde estudei até 2002. Desde 2003, moro na Holanda - sou casada com um holandês.
[O choque cultural existe e acaba sendo benéfico - de uma maneira ou de outra -. Sou da opinão que existem coisas boas e ruins em qualquer lugar do planeta! Nós é que temos que ressignificá-las à nossa moda!]

Será uma alegria se visitar o meu cantinho virtual, que é: http://josanemary.wordpress.com/mevrouw-jane/

E será uma outra alegria, se quiser ler o prefácio do meu livro: Mevrouw Jane (o prefácio não foi feito por mim, mas por um outro escritor, um já reconhecido no mundo literário). Se gostar – ou não - por favor, deixe um comentário; vou adorar ler a sua opinião!

Tenha um ótimo dia!
Grande abraço, daqui da Holanda.
Josane Mary

Maria Dias disse...

ENCANTADA com seu blog e com sua escrita. Agora sei a quem Paula saiu...Bem,em algumas passagens por aqui, fui tao tocada ao ponto de pensar q gostaria muito de ter escrito tal poesia...
Sabe o q sempre me incomodou?O não ter história pra contar(eu quero ter história e vc as tem)parabéns!

Beijinhos

Maria

Maria Dias disse...

Oi Djanira,

Já coloquei seu blog na lista dos meus preferidos...Ah,e quanto a ter histórias pra contar,bem,na verdade hoje aos 44 anos já tenho algumas...rs...Antes eu tinha este medo (o de nao ter história pra lembrar ou contar).rs...

Beijinho

P.s.Gostei varias poesias mas especialmente de SANTIFICAÇÃO

Maria Dias disse...

Eu novamente para saber se posso postar poesias sua no meu blog...Posso?