sábado, 5 de fevereiro de 2011

VIAGEM






Janelas me olham.
Naquela manhã, mesmo chorando, consegui ver no jardim rosas e bogaris, resedás e verbenas. Levam-me de volta aos braços da minha infância, infância que sempre me recebe e me conta histórias para que eu possa enxergar as janelas.
Um silêncio dentro do outro. O sentimento desfiado tece finas teias ao redor do tempo. O invisível me prende nas tramas da saudade, da mágoa, da ausência e da solidão.
Lembrar me incomoda feito uma dor. A caminhada é longa e sem chegada ainda. Penso em ficar. Ficar para saber por que nos entregam caminhos que não pedimos. Estou cansada de buscar respostas.
O sol me acorda. Sacode-me no pesadelo de um novo dia.
Perfumes sutis como armadilhas me magoam.

Volto, volto para o jardim. Entro como sombra no olhar invasivo das janelas. 



6 comentários:

d'Alma disse...

Talvez a beleza das coisas seja um martírio que abre uma via sacra, dos olhos ao desapegar da Alma!... As cores, tão símbolo de vida da infância que sempre se quis, e quer, colorida, são as mesmas que traem a cor dos sonhos… e tudo que parece restar é a uma amnésia em crescimento, nos Jardins que desiludem!... Os Super-Seres, os super-homens e super-mulheres, de maravilhosos Seres, passaram a não ser o que o desejo legítimo reservara para a eternidade; como se a imortalidade fosse um dado, como presente de Deus e da Natureza perfeita, adquirido, coma conivência natural do que não se pedira!... A infância e Juventude é sempre eterna e, se deixa de o ser, é porque algo falhou na verdade que sempre poupou a verdade, ainda maior, do engano e da mentira, para a qual ninguém nos preparou!... A vida, ela mesma, é uma consagrada lição… de Vida!... Nem sempre queremos apreender o que as lições nos reservam e adiamos o estudo, o trabalho de casa para o dia seguinte; a cábula é uma tentação!... Não há vidas iguais, mesmo que a Esperança seja semelhante e a Vida, num qualquer capítulo, sempre visível, oferece a lição, ainda que não seja a “custo zero”!... Na Vida nada é grátis e, mais tarde ou mais cedo, a dívida terá de ser paga; há quem não deixe as dívidas em atraso, assim como há quem só lembre de saldar a dívida quando todos os Jardins do mundo lhes cai em cima… da Vida!... Os “Jardins”, deixam de espalhar as agradáveis fragrâncias, tolhem-se na cor e martirizam a memória dos caminhos percorridos, como se já não houvesse mais caminho a percorrer, nem jardins onde colher mais uma FLOR!... Apenas porque não quisemos aceitar uma lição de Vida que a própria Vida, em todos os momentos, nos ofereceu; houvéssemos aceitado e os jardins continuariam a ser o jardim da Vida onde cada Flor, cumprindo todas as leis e transgressões da Natureza, seria eterna, imortal, não se dando conta da chegada da última brisa que a levou!





Abraço

BRANCAMAR disse...

D. Djanira,

A senhora expressa de uma forma tão bonita e intensa seus sentimentos, que nos leva nos braços deles, sentindo o mesmo. Sim, porque nofundo este é o caminho de todas as nossas vidas.

Não posso terminar sem dizer que é uma exímia escritora.

Parabéns por toda a sua carreira e pelo que sensível e sábio nos mostra neste texto.

Beijinhos
Branca

pires disse...

Concordo com Brancamar!! Lindo! Lindo seu texto! Parabéns!

Nanda Assis disse...

gostei muitoo!!

bjos...

ELANE, Mulher de fases! disse...

a Senhora é maravilhosa, a infância, parte maravilhosa da vida, nos esquenta como um sol da manhã, e a vida, nos pega de surpresa, nos faz crescer, viver coisas que nunca sonhávamos, sofrer, aprender, enfim, o dia nasce, as flores perfumam e a vida nos leva, gostando ou não do que vivemos, temos que aprender, amei seu texto, parabéns!!bjo na alma!

norma.viotto disse...

Querida te amo e o derramar da sua sabedoria tambem, obrigada por compartilhar beijos.