terça-feira, 23 de novembro de 2010

DESAFIO
A palavra me chega louca ou quase louca ou qualquer coisa assim meio parecida com gente. Altos e baixos, silêncios prolongados, conversas compridas. Já não tenho forças para dominá-la. Esbarra nas paredes, nas portas nas janelas. Nas portas fechadas escreve silêncios. Nas abertas perde-se no desconhecido. Pelas janelas escorrega e se mistura às mazelas do mundo. Quando tento pronunciá-la ninguém ouve, se acaso ouve não consegue entender. Coitada da minha palavra, tornou-se inútil. Ou será o som da minha voz que se enredou nas pautas perdidas na minha boca e jã não  emite os sons musicais de antigamente? A minha inútil palavra já não vê, não ouve e nem comigo fala. Envelheceu. Envelheceu esquecida de mim.



4 comentários:

Ricardo Tafarelo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Tafarelo disse...

Veja só que contraditório. Ao menos nesse texto as dominou muito bem. Parabéns

Mário Lopes disse...

E, no entanto, ainda as recolhemos, pálidas, mas com o significado intacto, frutos maduros que mãos sábias cuidaram, recordando pomares onde o amor rompeu em flor. Serão frágeis já, como gotas de orvalho desafiando o primeiro sol, mas ainda lembram os sonhos que não cresciam na infância, ainda são os pequenos barcos que atravessam o silêncio. Lentamente, com o tempo, aproximam-se mais do horizonte, como as aves ao entardecer, e são elas que anunciam as primeiras estrelas, quando o olhar já fatigado, não as vislumbra no azul escurecido da memória.


É um cantinho onde gosto de estar, o seu. Mesmo que pense que a sua palavra envelheceu. Mas não, não envelheceu. Como as andorinhas, volta ao ninho onde nasceu, filha maior da sua enorme sensibilidade, Djanira. Como a que voou do seu pensamento, desenhando o maravilhoso DESAFIO a que todos assistimos.

Beijo doce.

Helinha disse...

Oi!!

cheguei ao seu blog através do blog da Paula...

E valeu a pena!!

Sua palavra é útil e seu texto é atemporal!!

Beijos, amei seu blog!!