DESAFIO
A palavra me chega louca ou quase louca ou qualquer coisa assim meio parecida com gente. Altos e baixos, silêncios prolongados, conversas compridas. Já não tenho forças para dominá-la. Esbarra nas paredes, nas portas nas janelas. Nas portas fechadas escreve silêncios. Nas abertas perde-se no desconhecido. Pelas janelas escorrega e se mistura às mazelas do mundo. Quando tento pronunciá-la ninguém ouve, se acaso ouve não consegue entender. Coitada da minha palavra, tornou-se inútil. Ou será o som da minha voz que se enredou nas pautas perdidas na minha boca e jã não emite os sons musicais de antigamente? A minha inútil palavra já não vê, não ouve e nem comigo fala. Envelheceu. Envelheceu esquecida de mim.
4 comentários:
Veja só que contraditório. Ao menos nesse texto as dominou muito bem. Parabéns
E, no entanto, ainda as recolhemos, pálidas, mas com o significado intacto, frutos maduros que mãos sábias cuidaram, recordando pomares onde o amor rompeu em flor. Serão frágeis já, como gotas de orvalho desafiando o primeiro sol, mas ainda lembram os sonhos que não cresciam na infância, ainda são os pequenos barcos que atravessam o silêncio. Lentamente, com o tempo, aproximam-se mais do horizonte, como as aves ao entardecer, e são elas que anunciam as primeiras estrelas, quando o olhar já fatigado, não as vislumbra no azul escurecido da memória.
É um cantinho onde gosto de estar, o seu. Mesmo que pense que a sua palavra envelheceu. Mas não, não envelheceu. Como as andorinhas, volta ao ninho onde nasceu, filha maior da sua enorme sensibilidade, Djanira. Como a que voou do seu pensamento, desenhando o maravilhoso DESAFIO a que todos assistimos.
Beijo doce.
Oi!!
cheguei ao seu blog através do blog da Paula...
E valeu a pena!!
Sua palavra é útil e seu texto é atemporal!!
Beijos, amei seu blog!!
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