quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A VOLTA





Este é o momento, pensou. Seguiu o som dos suspiros, o barulho das folhas secas amassadas e disse, comigo foi assim. Abriu a porteira. A sombra de corpos abraçados    repetia em movimentos embalados no  ritmo perpétuo, ritmo que não muda com o tempo. Parou. Reconheceu a estrada, o caminho que agora, como um imã, a trazia de volta carregando a dor da liberdade. De que lhe servia ser livre se não tinha quem ocupasse os espaços vazios? Um sentimento forte, destruidor feito um grande incêndio percorreu seu corpo. O coração estremeceu. Ouviu sinos. Onde seria o incêndio?
Quantas décadas decorreram desde a última e grande emoção? Quantas?
Extinto o incêndio, a alma em cinzas. Na torre o silêncio dos sinos.
Voltou à realidade. Julgou ouvir pássaros e sereias. Continuou a subir. A estrada esperava, sempre esperou. Um casal de jovens passa abraçado. Murmúrios, risos. Lembrou dos antigos encontros. Olhavam-na numa cumplicidade como se soubessem dos seus segredos.
Passou a mão no rosto enrugado recolheu as lembranças. Queria, mas não conseguiu chorar.

8 comentários:

C@urosa disse...

Olá minha querida amiga djanirasilva, sua bela reflexiva história nos mostra como o tempo é cruel. Apesar dos pesares, chorar, nem pensar. Muita paz e harmonia em sua vida.

forte abraço

C@urosa

Fernanda disse...

Seus textos sao muitos inspiradores, tô sempre por aqui, mas essa é a 1a vez que deixo um comentario :)

Parabéns pelo blog!

Abçs,

Fernanda

Mário Lopes disse...

Sim. "Passou a mão no rosto enrugado", nos sulcos deixados pelas lágrimas que já não correm, como se a memória a obrigasse a percorrer aquelas ruas tristes da saudade para chegar às águas mais próximas da infância, onde o desejo ardia como a luz numa manhã de Verão.
Agora morará nos olhos das crianças
ou onde a luz for mais suave. Reparará como os seus gestos mais demorados se repetem com outra graça noutras mãos, só por que mais jovens, como em cada ave que parte o mar lhe parece distante. E verá o tempo a depositar-se no seu olhar, como a finíssima poeira do fim da tarde.

O seu lindíssimo texto levou-me a este devaneio. E de devaneio em devaneio-graças à sua querida filha-aqui cheguei. Agradecido por me terem indicado o caminho.

Beijo terno para si, Djanira, e para Paula, também.

ELANE, Mulher de fases! disse...

A senhora é linda e se torna mais ainda com esses textos, poemas maravilhosos, ah, mas se nao fossem as rugas, nao existiriam a experiencia, as lembranças, sabedoria, voltar aos tempos idos é regressar a fatos q nos alegram, mas tb nos mostram q a caminhada é longa e infinita, nao importa onde estejamos, virei sempre aqui, sua filha Paula é doce de mulher, inteligente, agora sei q teve a quem puxar, parabéns!!!!ótimo fds!!!

Cynthia Gonçalves disse...

Parabéns adorei seus textos.
Quando tiver um tempinho me visite hojesouassimepronto.blogspot.com

Carla disse...

A dor da liberdade é crônica!

Belo blog!

Nyx A Terceira Face Os Direitos autorais são protegidos pela lei 9610/98 violá-los é crime estabelecido pelo artigo 184 do código penal (se quiser cópiar não esqueça de colocar a autoria) disse...

Ola
adorei seu blog!
segue-me?
estou seguindo-te
=)

C@urosa disse...

"A amizade sempre será primordial na vida e no relacionamento entre os seres" Paz e harmonia e um bom final de semana.

forte abraço

C@urosa